"Um Porto para os advogados", de Josy Braun (2006)

O vinho do Porto é a arma do crime no primeiro policial escrito em língua luxemburguesa. O livro, publicado em 1997, foi traduzido para português em 2006 e publicado com a chancela da Companhia das Letras. A história é inspirada num caso real passado na comunidade portuguesa. Nos anos 80, uma empregada de limpeza portuguesa terá envenenado o patrão luxemburguês e a família para quem trabalhava. "Foi uma história que me marcou, e baseei-me neste caso para escrever este livro", revelou ao CONTACTO o autor, na altura em que apresentou o policial em Portugal. O escritor e ex-jornalista do Tageblatt faleceu em 2012.

"2129 – Chasse à l’homme de l’art", de Enrico Lunghi (2011)

Num Luxemburgo futurista, a Gëlle Fra foi substituída por uma estátua de Juncker e apenas os funcionários públicos ainda falam luxemburguês. O centro da capital converteu-se numa ’kasbah’ multilingue onde se fala mandarim, hindi e português. Em Kirchberg, Pedro, um milionário português, transformou o Mudam, o museu de arte moderna, em palácio privado, onde vive como um eremita. O livro é assinado pelo director do Mudam, Enrico Lunghi.

"In articulo mortis", de Pierre Decock (2011)

Este é o segundo caso do inspector João da Costa Rebelo, o protagonista dos policiais de Pierre Decock. O escritor luxemburguês de origem belga disse em entrevistas que a personagem do inspector luso-descendente foi inspirada "nos imigrantes de segunda geração, que nasceram, cresceram e estudaram no Luxemburgo e que hoje encontramos como gestores, advogados ou inspectores da Polícia Judiciária". O primeiro livro da série chama-se "De Profundis", e foi publicado em 2009.

"Das Christkind", de Jeff Herr (2012)

A comissária de origem portuguesa Maria Ferreira é a heroína dos policiais do escritor luxemburguês Jeff Herr, que escreve em alemão. A personagem principal dos policiais de Jeff Herr nasceu em Celorico de Basto e imigrou para o Luxemburgo com os pais, "que não encontravam trabalho em Portugal".
Descrita como "uma mulher bonita, de cabelo negro encaracolado, sardas no nariz e olhos azuis", Maria Ferreira frequentou o liceu na cidade do Luxemburgo, estudou Criminalística na Universidade do Porto e regressou ao Grão-Ducado para trabalhar na Polícia grã-ducal.

"Reynaert au pays des merveilles", de Claude Schmit (2015)

Reynaert é o alter-ego de "Reenert" (raposa, em luxemburguês), de Michel Rodange, um clássico da literatura luxemburguesa. O protagonista do romance filosófico de Claude Schmit passa as mais de 230 páginas do livro a lamentar a diluição da identidade nacional, dividido entre os "patriotas" que se opõem à chegada de refugiados e os "universalistas beatos" que querem acabar por decreto com a importância das origens. A história abre com um taxista português que conduz Reynaert, incontinente e impotente, a um sanatório de luxo, mas o livro está cheio de referências aos portugueses e à cultura portuguesa, de Fernando Pessoa a José Saramago, passando pelo arroz de tamboril e o cozido à portuguesa. João, filho da empregada portuguesa que trabalha na luxuosa casa de repouso, Nídia de Freitas, "fala a língua de Bartolomeu Dias, o homem que dobrou o Cabo da Boa Esperança, a de Cabral, que tomou posse do Brasil, de Vasco da Gama e de Magalhães", mas "aqui [no Luxemburgo], passada a porta da escola, esta bela língua dos conquistadores é banida", reflecte o narrador. No livro, o português também é usado para insultar os luxemburgueses em misteriosas inscrições – "camponês e novo-rico!".
Nesta “Babel-sur-Alzette” em desagregação, é com Fernando, um português com o nome de Pessoa, que Reynaert acaba por se identificar. Os dois comparam a história dos dois países (a resistência sob a ditadura de Salazar e na ocupação nazi do Grão-Ducado), trocam mitologias, e lamentam a decadência da cultura nacional ("Cristiano Ronaldo é mais popular que Camões", diz Fernando). No processo, acabam por ficar amigos.

"Lettre d’amour au peuple qui ne connaissait pas le verbe aimer", de Claude Frisoni (2015)

Fábula distópica sobre o Luxemburgo que transpõe o referendo sobre o direito de voto dos estrangeiros para um país imaginário – Vatounu, uma ilha do Pacífico onde os nativos falam 'bislama', um dialecto com influências do inglês e francês, as outras duas línguas nacionais, e onde o acesso à Função Pública é reservado aos nacionais. Neste país em tudo semelhante ao Grão-Ducado, os fronteiriços dão lugar aos trabalhadores 'trans-ilhas', que provocam engarrafamentos de pirogas à hora de ponta, e nem os portugueses foram esquecidos. Convertidos em imigrantes filipinos "chegados nos anos 60" a Vatounu, são descritos como "trabalhadores e disciplinados, educados e reservados, tendo aprendido no seu país [de origem], na escola da ditadura, a contentar-se com pouco e a não chamar a atenção". Um dos sobreviventes à hecatombe que destrói a ilha é um operário da construção, filho de imigrantes chegados ao país em 1977.

Table of Contents